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Juremir Machado imita Diogo Mainardi

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Juremir Machado imita Diogo Mainardi

Mensagem por Convidad em 10/2/2010, 6:15 pm

Quanto mais leio os autores contemporâneos, mais me afasto da literatura. É impressionante a capacidade de imitação nos dias atuais. Meu livro de cabeceira chama-se A tapas e pontapés, coletânea de crônicas de Diogo Mainardi, colunista da Veja. Mas ultimamente alguns contemporâneos estão fazendo eu desconfiar de Mainardi. Realmente Mainardi escreve bem, além de cutucar gente grande. Mas me assombro ao ler o romance Solo, do nosso gaúcho Juremir Machado da Silva. Não pode ser! Tantas referências diretas a temas já debatidos por Mainardi. Uma rápida procura no google e vejo que eles são amigos, que Juremir é considerado o mainardinho dos pampas, que um cita o outro, que ambos fazem parte da chamada “estética polêmica”, etc. e tal. Li inclusive uma crônica do Juremir elogiando o livro do Mainardi. Segue trecho: “Mandei fazer uma camiseta: Diogo salva. Li A tapas e pontapés (Record), coletânea de crônicas de Diogo Mainardi, e despertei da letargia em que me encontrava”. Mais adiante: “Sou diogomainardista de carteirinha”. Realmente ele é diogomainardista de carteirinha. Mas não adianta nada escrever e não provar. Vamos apenas até a página 16 do livro de 2008 do Juremir, Solo:

– na página 9, o narrador diz que as opiniões de Louro José, o papagaio de Ana Maria Braga, são mais sábias que as de Franklin Martins. Todos sabemos a repercussão da briga entre Mainardi e Franklin Martins. Se você não sabe que eles se pegaram no pau, digo, na escrita, sugiro a leitura de “Jornalistas são brasileiros”, de Mainardi; logo após, a “Resposta a Diogo Mainardi”, de Franklin, com bem mais caracteres; sem respirar, parta para “Franklin, o ‘conceituado’”, a resposta de Mainardi. Vale a pena. Vou mais além: vale a pena ver, para quem gosta de estilo de escrita, o que é laudatório (Franklin) e o que é enxuto (Mainardi). Mas continuemos na homenagem de Juremir a Mainardi.

– na página 13, o narrador diz que gosta de ver o Canal Rural, vendo “os diálogos silenciosos” dos principais atores – os bois. Mainardi também, em crônica de 2003, diz: “Pago TV a cabo só por causa do Canal Rural. Estou sempre lá”. Satisfeitos? Não? Continuemos.

– na página 14, o narrador de Solo implica com as mensagens nas camisetas dos jogadores, aquelas do tipo “Deus é fiel”. Mainardi, em crônica de 2003 intitulada “Menos deus, por favor”, detona: “Atletas de Cristo. Eu torço contra. Deveria ser proibido comemorar um gol mostrando camisetas com mensagens evangélicas”. Poderia ir mais longe, mas vou parar na página 16. Por que na 16? Leiam. Eu encerro aqui.

– na página 16, o narrador diz: “O resto da programação da tevê parecia sem emoção. Felizmente, as denúncias de corrupção no governo Lula me salvaram do tédio”.

P.s.: O livro de Juremir tem 367 páginas.

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Re: Juremir Machado imita Diogo Mainardi

Mensagem por Max, o Fiscal em 10/2/2010, 6:59 pm

Boa tarde, docontra

Bem, primeiro devo dizer que a coluna do Diogo na Veja faz uma falta desgramada. Espero que ele cumpra a promessa de encerrar a "operação tartaruga", voltando à carga pouco antes do período de propaganda eleitoral.

Como já disse o Reinaldo Azevedo, com outras palavras, sítio para propaganda da esquerda já está cheio nesse Brasilzão, e que esquerdista nenhum se arvore a exigir espaço ou direito de resposta onde não foi chamado. Se isso quer dizer que o marxista-leninista-lulista-petista não é bem vindo, por extensão também significa que os redutos da "direita" tem a obrigação de crescer e se multiplicar, para pelo menos tentar fazer uma marolinha contra a pororoca populista que se instalou nesta terra desde a Abertura.

Repetição por repetição, a novena do socialismo começou em 1922, com o PCB, e atravessou esses 88 anos praticamente intocada - recebendo apenas os cruéis adereços das guerrilhas dos anos 70. Senão vejamos: quem não reconhece o jargão das "oligarquias burguesas mancomunadas com o imperialismo ianque"? Juremir e Diogo apoiam-se ao retratar um país infantilizado pela retórica socialista. Que o discurso de ambos nos engrandeça, e que nos municie sempre mais contra guerrilheiros da estirpe de Franklin Martins.
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Max, o Fiscal

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